• ago | 2026
  • Redação

Os caminhos para a paridade

A apresentação do estudo A Democracia Incompleta: Sub-Representação Feminina na Política Brasileira e Caminhos para a Paridade em Brasília, nesta terça-feira, 18, provocou diversas reflexões de mulheres com o intuito de transformar a realidade.

O texto foi apresentado pela jornalista e pesquisadora Daniela Matos, que apontou a falta de compatibilidade entre as mulheres do Brasil e suas representantes no Parlamento. “Nós representamos metade do eleitorado brasileiro, mas ocupamos somente 15% das cadeiras […] Das 15 mulheres nessa legislatura no Senado, cinco entraram como suplentes, e não de outras mulheres. Isso reflete não uma consciência. Reflete um desenho, que a gente muda fazendo diagnóstico, exatamente o que a pesquisa propõe”, explicou.

O estudo usa de exemplo países latino-americanos que assumiram comportamentos legislativos para aumentar a representação feminina, como México (50% de presença) e Bolívia (46%) que admitiram sistemas de paridade e alternância, respectivamente.

Foto: Jefferson D. Modesto

A partir disso, o texto levanta soluções a curto e médio prazo. A primeira seria transformar a obrigatoriedade de candidaturas femininas em cadeiras exclusivas no Congresso, para evitar candidaturas laranja que destinem a verba de campanha para homens. De acordo com o estudo, entre 1998 e 2022, aproximadamente 60% do fundo eleitoral estava na mão de homens brancos, enquanto, no mesmo período, só 4% esteve nas mãos de mulheres negras.

A outra, com mais tempo de adaptação, seria tornar a eleição nacional indireta, em que os eleitores votariam nas siglas e essas definiriam seus representantes de forma igualitária entre homens e mulheres.

“É uma democracia incompleta. Não temos a representação que a sociedade determina […] Os partidos têm que comandar: metade dos seus diretórios, mulheres, e metade, homens”, apontou a Deputada Soraya Santos (PL-RJ).

“É muito importante que a gente se empenhe nos temas de gênero, que a gente cuide, que a gente olhe para esses dados, essas diferenças. Mas eu acho que a gente tem que ter a ousadia também de pegar temas como economia, política, agro, que são vistos como do domínio masculino, estudar e seguir adiante”, opinou Júnia Gama, sócia e Head de Análise Política do BTG Pactual.

O Brasil é uma sociedade majoritariamente feminina, tanto em população quanto em eleitorado. No entanto, isso não tem se refletido na presença de mulheres em cargos eletivos.

Foto: Jefferson D. Modesto
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