Em encontro realizado em São Paulo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a combinação entre responsabilidade fiscal e social como condição para o crescimento e afirmou que o governo não pode tratar o corte de despesas sociais como principal instrumento de ajuste das contas públicas.
“A estabilidade fiscal é uma questão obrigatória. Não é nem competência do governo, é obrigatório. A gente sabe que, quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre”, reforçou. O candidato à reeleição afirmou que o equilíbrio das contas deve caminhar junto com políticas de inclusão. “Se a gente não tem responsabilidade social junto com a responsabilidade fiscal, a gente não resolve o problema do País.”
O diálogo reuniu também o Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin; os presidentes da Caixa, Carlos Vieira, do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e do BNDES, Aloizio Mercadante; além do Ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Ao abordar a pressão por redução de gastos, Lula criticou propostas que, em sua avaliação, atingem diretamente programas sociais. “Quando você vê alguém falar: ‘Eu preciso cortar gastos na Previdência, eu preciso cortar gastos na política de inclusão social’, você está fazendo o que se fez historicamente neste País e que não deu certo: é tornar o pobre mais pobre”, disse.
Indústria e investimentos
Em sua fala, Alckmin ressaltou a retomada de uma política industrial como parte da estratégia de desenvolvimento. Segundo o Vice-Presidente, a recriação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) permitiu estruturar a Nova Indústria Brasil, com foco em áreas como transição energética, saúde e mobilidade sustentável.
Ele afirmou que há R$ 2,3 trilhões em investimentos privados anunciados e associou a atração de capital à oferta de segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade.
Lula relacionou a política industrial à necessidade de agregar valor aos recursos naturais brasileiros. Ao falar sobre minerais críticos e terras raras, defendeu que a exploração seja acompanhada de processamento e industrialização no País. “Nós precisamos ser protagonistas, senão vamos virar um mero exportador outra vez”, ponderou.

Crédito e bancos públicos
Os presidentes das instituições financeiras públicas destacaram a expansão do crédito e o papel dos bancos no financiamento da atividade econômica. Carlos Vieira pontuou que a Caixa ampliou a atuação no crédito habitacional e imobiliário e citou o desempenho do Minha Casa, Minha Vida como exemplo da capacidade de políticas públicas de mobilizar o sistema financeiro.
Tarciana Medeiros, primeira mulher a presidir o Banco do Brasil, destacou os mais de R$ 1 trilhão em crédito desembolsados pela instituição e os recursos destinados ao agronegócio por meio do Plano Safra. Também ressaltou a participação do banco no financiamento da transição energética.
Para Aloizio Mercadante, os bancos públicos são instrumentos necessários para financiar inovação e projetos estruturantes. “Precisamos dessas instituições para apoiar a inovação, o desenvolvimento e os grandes projetos estruturantes”, afirmou. Ele pontuou, ainda, a defesa de uma atuação ativa do Estado na economia.

Agenda fiscal
Ao tratar da política econômica, Dario Durigan afirmou que o governo busca, de fato, conciliar responsabilidade fiscal e social. Segundo o chefe da equipe econômica e porta-voz das propostas de Lula na Economia em um eventual novo mandato, o novo marco fiscal e o avanço da reforma tributária ampliam a previsibilidade e devem contribuir para a estabilização da relação entre dívida e PIB.
A discussão sobre as contas públicas também foi associada por Lula à necessidade de definir o papel do Estado. “Nós temos que definir que País a gente quer”, afirmou o Presidente, reforçando que o crescimento econômico seja acompanhado pela ampliação do consumo e da renda.