“Flávio Bolsonaro tem essa eleição na mão, mas pode jogar tudo fora se escolher se virar apenas para a extrema direita.” A avaliação do presidente nacional do PP, Senador Ciro Nogueira, sintetiza o tom predominante do encontro com nossos associados nesta segunda-feira, 27, em São Paulo, ao projetar o cenário para 2026. Para ele, o desfecho eleitoral dependerá menos de alinhamentos ideológicos rígidos e mais da capacidade de moderação e de diálogo com o eleitor de centro.
O Senador ponderou, contudo, que o favoritismo é condicionado. “Ele pode jogar fora se adotar um discurso importado dos Estados Unidos, que não dialoga com o Brasil real”, afirmou. Na ocasião, a presidente nacional do Podemos, Deputada Federal Renata Abreu, reforçou a leitura ao destacar que, em um ambiente polarizado, “quem conseguir levar melhor o discurso da moderação é que tende a capturar essa diferença que decide a eleição”.
Os dois dirigentes partidários concordaram que não há espaço competitivo para uma terceira via enquanto as lideranças de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do campo bolsonarista permanecerem no centro do debate. “Não vejo possibilidade de uma terceira via enquanto esses polos estiverem ativos”, disse Ciro Nogueira. Segundo ele, o pleito tende a ser definido por um eleitorado de centro — cerca de 10% a 15% — sensível a erros de campanha.

Nesse contexto, a campanha deve ser marcada por rejeição e fadiga política. “As pessoas estão cansadas dessa disputa permanente. O candidato que apresentar um projeto de futuro e sinalizar união terá vantagem”, avaliou o Senador.
Economia e tamanho do Estado
No campo econômico, Ciro defendeu uma revisão estrutural do papel do Estado. “Não temos mais como sustentar o Judiciário, o Executivo e o Legislativo mais caros do mundo, todos ineficientes. É preciso um corte radical e uma reforma administrativa profunda”, afirmou. Para ele, o País precisa reduzir o “abismo entre setor público e privado” e criar mecanismos de saída para programas sociais, preservando sua função, mas evitando dependência permanente.
A Deputada Renata Abreu, por sua vez, enfatizou a necessidade de recuperar a credibilidade institucional como pré-condição para o crescimento. “O mundo precisa voltar a enxergar o Brasil como um destino confiável para investimentos. A polarização e os ruídos institucionais afastam capital e oportunidades”, disse. Ela também apontou a educação como eixo estruturante: “Não existe político corrupto em uma nação ética. O problema é mais profundo e começa na formação”.
Agenda social e trabalho
Em contraponto, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, trouxe uma agenda centrada em direitos sociais. Para ela, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são prioridades imediatas. “As experiências internacionais mostram aumento de produtividade e melhoria na qualidade de vida”, destacou, rebatendo críticas sobre impacto econômico.
Coradi também defendeu a centralidade da democracia no debate público. “Há setores que flertam com o autoritarismo. Precisamos reafirmar valores democráticos como base de qualquer projeto de país”, observou.
