O Senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou na tarde desta quarta-feira, 15, que o governo atual deve chegar às eleições de outubro “muito desgastado”. Segundo o ex-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS — que encerrou as atividades sem a aprovação do relatório final — o crescimento na arrecadação se deve à majoração de impostos, o que prejudica a sociedade. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, 52% dos entrevistados desaprovam o governo, enquanto 43% aprovam.
“Eu tenho rodado os municípios e tenho ouvido das pessoas uma insatisfação muito grande com a política. Há um desejo de mudança muito forte por parte da população”, avaliou o político mineiro durante encontro com associados realizado na Casa ParlaMento, em Brasília. “Quando um governo não consegue dizer com clareza de onde ele veio e aonde ele quer chegar, o País fica à deriva”, afirmou.
Ao analisar o tensionamento entre os poderes, tão marcante nos últimos anos, o senador também defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham mandatos limitados, e citou o exemplo da Alemanha, onde existe um limite de 12 anos a ser cumprido pelos magistrados. Segundo Viana, a Suprema Corte precisa desenvolver a capacidade de se autocontrolar, e pediu altivez aos senadores a serem eleitos em outubro para que levem adiante a possibilidade de rediscutir o relacionamento entre os poderes.

No fim de março, a CPMI do INSS, presidida por Viana, teve a prorrogação vetada pela Corte, após o plenário derrubar a decisão monocrática do ministro André Mendonça de estender o tempo de trabalho do colegiado.
Ambiente de negócios
Na visão de Viana, existem três pilares que fazem com que um país atraia investimentos. São eles: população com capacidade de consumo, democracia e segurança jurídica. Dessa forma, o setor produtivo precisaria estabelecer prioridades antes do processo eleitoral, para que as propostas apresentadas nas campanhas sejam condizentes com a realidade socioeconômica do País.
Representante do campo da direita, Carlos Viana crê que o Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha chance de sair vencedor do pleito de outubro, mas a rejeição de parte do eleitorado ao bolsonarismo é um ponto de atenção, na sua avaliação. E, ao analisar o cenário regional, ele vê um desafio para o Governador Mateus Simões (PSD) se reeleger em Minas Gerais.
“O Vice-Governador de Minas, Mateus Simões [atual governador], não é conhecido e sofre de um grande problema. O ex-governador [Romeu] Zema não passa voto. A candidatura dele não foi de base política, foi de internet”, apontou. E, de acordo com Viana, do outro lado do tabuleiro político, a esquerda vive um vazio de ideias para lançar seu candidato ao Executivo estadual. “Insistem no Rodrigo Pacheco [PSB-MG], que tudo indica será o candidato do presidente, mas ele não quer. Não dá sinais que vai se candidatar”, sentenciou.
