O vislumbre da terceira via

As cúpulas do DEM e do PSL decidiram que vão chamar de União Brasil o partido que resultará da fusão das legendas. Também foi escolhido um novo número para representá-lo nas urnas: 44. Mas os planos de Antônio de Rueda, atual vice-presidente do PSL, parecem ser ainda mais ambiciosos para 2022. Em evento da Esfera Brasil na última segunda-feira, 27, ele promoveu articulações que devem culminar num convite para que Romeu Zema, o governador de Minas Gerais, junte-se à fusão (hoje ele está no Novo) e encarne uma “terceira via” na próxima eleição presidencial.

Durante o encontro, no qual Zema recebeu elogios de empresários conterrâneos, paulistas e cariocas, notou-se também a presença de Cláudio Castro (PL-RJ), governador do Rio de Janeiro. Especula-se que ele seja uma das figuras centrais dos planos da União Brasil. Seria o encontro uma primeira aproximação para formar a chapa Zema-Castro? 

O aceno, ainda que breve, não foi tímido. Após o discurso de Zema na frente de pesos-pesados do PIB brasileiro, Rueda fez o convite em alto e bom som, no microfone. Zema limitou-se a agradecer – e sorrir. 

Candidato tangível

A jogada estratégica de Rueda resgatou o apetite do empresariado por uma terceira via – o que, até agora, parecia um objetivo inalcançável para 2022. Enquanto o País sofre em meio à polarização política, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva continuam aparecendo como os únicos capazes de disputar a cadeira no Planalto. Em pesquisa recente (29) do site Poder360, o ex e o atual presidentes têm, respectivamente, 40% e 30% das intenções de voto. Nos dois casos, os percentuais oscilaram para cima desde o último levantamento, há cerca de um mês.

Muito se fala sobre a possibilidade de uma alternativa, o que joga as luzes, atualmente, nas prévias do PSDB. Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) passaram a traçar uma disputa acirrada. O gaúcho esteve em São Paulo nesta semana, visitando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acompanhado de outro tucano de alta plumagem – o senador Tasso Jereissati (CE), que decidiu não concorrer nas prévias do PSDB para apoiar Leite. Já o governador paulista foi para o interior de São Paulo, onde reuniu uma multidão na quinta-feira em Serra Negra (SP). Antes, pela manhã, participou de um evento no Itaú BBA, no qual foi indagado sobre o que faria caso perdesse as prévias do partido. “Continuarei apoiando o PSDB e o candidato do partido, sem sombra de dúvidas”, declarou. 

Com o resultado das prévias do PSDB, que acontecerão no dia 21 de novembro, a noção de um candidato real, com rosto, nome e sobrenome, pode mudar as pesquisas. O mesmo pode acontecer no caso de Romeu Zema. O governador disse ter um compromisso com os mineiros, mas não negou a possibilidade de encarar as eleições presidenciais. Resta saber se ele tentaria o pleito pelo Partido Novo, do qual é já filiado, ou aceitaria a proposta da União Brasil. 

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