5G: a conexão das máquinas

A forma como nos conectamos evoluiu drasticamente nos últimos 20 anos. O resultado disso é um mundo completamente interligado e disponível na palma das mãos. E, se as mudanças tecnológicas hoje permitem conectar pessoas, a nova geração da rede, o 5G, amplia a conexão de dispositivos à internet. Por isso, apesar de parecer uma sucessora do 4G, a quinta geração promete uma revolução na maneira como vivemos e produzimos.

Segundo Cristiane Sanches, do conselho da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), o 5G nem mesmo é parecido com o 4G. Embora ambas as tecnologias sejam redes de banda larga móvel, o 5G tem primordialmente a intenção de conectar máquinas.

Por sua alta velocidade cerca de 20 vezes a capacidade do 4G e baixa latência menos de 1 milissegundo para levar as informações de um ponto ao outro , o 5G é o ingrediente que faltava para que as máquinas se tornassem extensões dos seres humanos. 

A potência do 5G, contudo, não é um fator para a extinção do 4G. “As duas tecnologias serão complementares”, diz Cristiane. A explicação é simples: eles continuarão coexistindo, assim como acontece com o 4G e o 3G, mas de uma forma mais proveitosa, visto que a capacidade do 4G, diferentemente das possibilidades oferecidas pelo 3G, é muito maior. O 4G não deixará de ser útil e aparecerá como uma alternativa satisfatória nos momentos de ausência do 5G.

Uma virada para as empresas

As grandes beneficiadas pelo 5G serão as empresas. “Hoje, a pessoa jurídica não faz praticamente nada do ponto de vista industrial e de negócios com o 4G. Com o 5G, ela vai passar a ter essa possibilidade”, explica Cristiane. “A indústria não consegue utilizar apenas uma conexão 4G para conectar os caminhões às suas máquinas e demais equipamentos. O 5G, sem fio e sozinho, faz tudo isso”.

Mas isso não quer dizer que o 5G não representará um impacto para a pessoa física. Para o usuário final, a mudança do 5G a curto prazo se limitará a uma banda larga de muito melhor qualidade, velocidade e disponibilidade. A longo prazo, no entanto, a criação de novos serviços e equipamentos serão muito importantes para a sociedade. 

Leilão

Para começar a funcionar no Brasil – e em qualquer lugar do mundo –, o 5G demanda características específicas de ambiente. “O 5G clássico só acontece na faixa dos 3.5 GHz”, afirma Cristiane. “Mas é possível ter operação do 5G em outras faixas, como, por exemplo, em 26 GHz.” Dentro dessas faixas, existem diversos espectros, que serão leiloados para diferentes empresas – tudo isso sob regras previstas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Eles estão tentando otimizar ao máximo essa faixa de frequência.”

Ainda de acordo com a conselheira, o Release 16, que dita as regras do 5G no Brasil, está dividido de forma a ser capaz de atender a uma gama bem grande de empresas. O padrão estabelecido pelo documento vai, contudo, demandar investimentos altíssimos por parte das operadoras. “Elas vão ter que começar do zero, porque o edital estabeleceu um padrão totalmente novo para o 5G, que não se confunde com a rede legada do 4G. Além do investimento para fazer a instalação, também há o investimento para cumprir com os compromissos do edital”, explica Cristiane. Ela se refere às contrapartidas que preveem a instalação de redes para atender a Amazônia, rodovias e escolas.

O leilão estava planejado para acontecer em outubro, mas um pedido de vista feito por Moisés Queiroz Moreira, um dos conselheiros da Anatel, frustrou as expectativas e adiou a data por um mês ou mais. Agora, a previsão é que o evento ocorra em novembro. “É do interesse de todos que aconteça o quanto antes”, diz.

 

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