A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgaram um relatório com dados do Agronegócios para ver como a guerra da Rússia com a Ucrânia e as mudanças climáticas influenciaram o setor nos últimos meses.

Chamado de “Agronegócio - Impacto das Incertezas”, o estudo aponta, entre outras coisas, como as incertezas climáticas têm causado volatilidade no mercado global. No Brasil, isso levou à queda da expectativa para a safra de grãos de 2022.

Dados de abril comparados aos números de dezembro de 2021 mostram que houve um recuo de 9% na produtividade total de grãos, com 22 milhões de toneladas a menos. A produção de soja teve um recuo de 15%, resultando em 20 milhões de toneladas a menos. E a 1ª safra de milho do ano também apresentou queda de 15% na produtividade, com um total de 4,2 milhões de toneladas a menos. Mesmo com a quebra no potencial, o relatório diz que a 2ª safra ainda pode ser recorde.

Segundo os dados do relatório, a saída da Ucrânia, principal fornecedora da China, do mercado internacional de milho, e a menor área e produção do grão nos Estados Unidos desde 2013 – 21% da produção está concentrada em Estados que enfrentam uma seca –, fizeram com que os preços atingissem o maior nível da última década, chegando a US$ 8 por bushel (35,2 litros). Essa alta está pressionando a margem da indústria de proteína animal, dependente do grão, no mercado doméstico.

Por causa dessa volatilidade nos preços, muitos produtores não estão vendendo a safra com antecipação para ver se o preço aumenta. O Estado do Mato Grosso comercializou 55% de sua 2ª safra, contra 70% nos dois últimos anos.

O relatório também mostra como o mercado de fertilizantes foi afetado nesses últimos dois anos. O preço por tonelada passou de US$ 200-250 nos quatro primeiros meses de 2020 e 2021 para US$ 550-650 no mesmo período de 2022.