Faz tempo que Larry Fink, CEO da Black Rock, uma das maiores gestoras de ativos do planeta, escreve mensagens para os presidentes das empresas em que seus clientes investem.  Mas foi só a partir de 2018 que suas cartas ganharam notoriedade e fizeram de Fink uma espécie de profeta do mundo dos negócios. Naquele ano, ele lançou as bases do capitalismo de stakeholder, desconstruindo a ideia de que as empresas só existem para dar lucro a seus acionistas. Para o cofundador da Black Rock, esse pacote inclui também beneficiar outros participantes da cadeia empresarial – colaboradores, clientes e as comunidades onde a empresa opera – e propósito e lucro andam de mãos dadas.

Em suas cartas, Fink sempre traz algo novo, já que aprimora os preceitos ESG, acrescentando em sua análise como os fatos moldam o mundo e nossa maneira de fazer negócios. Em 2021, por exemplo, ele chamou a atenção para a crise existencial sem precedentes provocada pela pandemia. Além de ter nos colocado frente a frente com nossa fragilidade, o coronavírus nos obrigou a encarar a questão climática com mais senso de urgência, já que a ameaça que ela representa, assim como aconteceu com a Covid 19, pode mudar nossas vidas para sempre.

 

Impactos nas relações de trabalho e economia carbono zero

Este ano, um dos pontos levantados por Fink é o que ele chamou de novo mundo do trabalho, um mundo em que passar cinco dias por semana no escritório ficou para trás. Nesse cenário, que foi impulsionado pela Covid, o que se vê são funcionários demandando mais flexibilidade e mais significado em suas atividades profissionais.  E, para Fink, profissionais que exigem mais da empresa em que trabalham representam uma faceta importante do capitalismo efetivo. “Nossas pesquisas mostram que empresas que construíram um vínculo forte com seus funcionários tiveram menos turnover e mais lucro durante a pandemia.” O coronavírus trouxe à tona não só discussões sobre salário e flexibilidade no trabalho, mas também jogou luz sobre temas como equidade racial e saúde mental, revelando o gap entre as expectativas que cada geração tem em relação à carreira.

Fink também exaltou a importância da parceria entre os setores público e privado, que possibilitou, por exemplo, o desenvolvimento de vacinas em tempo recorde. E é essa mesma sinergia que pode acelerar a jornada rumo a um mundo carbono zero, já que as empresas precisam do apoio do Estado nessa tarefa para regular, criar políticas de sustentabilidade e estimular investimentos em inovação e tecnologia, que são essenciais para a descarbornização da economia global. Para Fink, aliás, os próximos unicórnios não serão empresas de ferramentas de busca ou de redes sociais, mas startups criadas para ajudar o mundo nessa tarefa e tornar a transição energética acessível para os consumidores.

Ao final de sua mensagem, o CEO da Black Rock anunciou a criação do Centro de Capitalismo de Stakeholder para fomentar debates, pesquisas e aprendizados sobre o impacto da proximidade entre empresas e seus stakeholders na construção de valor no longo prazo.