Você acompanhou pela imprensa: quando todos pensavam que a pandemia caminhava para uma reta final, o alerta sobre a nova variante do coronavírus – vindo da África do Sul, país que tem um dos mais avançados sistemas de sequenciamento genômico do mundo e que viu o número de infectados dobrar desde que anunciou a descoberta – colocou o planeta, novamente, em estado de alerta.

Ontem, depois do segundo caso confirmado nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden apresentou um “plano de inverno”. A expectativa para seu pronunciamento nesta quinta (2) era alta. O plano de Biden consiste basicamente no aumento das campanhas de vacinação e reforço e num rigor maior na testagem dos viajantes que chegam ao país. Além disso, irá disponibilizar mais testes rápidos para realizar em domicílio.

Atualmente, 59,13% dos americanos estão vacinados. Outras medidas anunciadas pelo presidente americano incluem equipes de prontidão para combater o avanço da ômicron; fornecimento de kits de proteção nos postos de trabalho a fim de evitar impactos na Economia e de medicamentos que ajudem a prevenir hospitalizações e morte.

Até esta sexta-feira (3), a variante ômicron foi confirmada na Austrália, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Malásia, Índia e Reino Unido. A Alemanha, por exemplo, decretou lockdown parcial para os que não se vacinaram e estuda tornar a vacinação obrigatória, o que já é realidade na Áustria, primeiro país da União Europeia a adotar a medida. 

 

Tempo de espera

No Brasil, até agora, são cinco casos confirmados e oito sob suspeita. As notícias provocaram uma espécie de efeito dominó, com várias capitais cancelando suas festas de Réveillon. “Não é hora de pensar em comemorações de fim de ano e, talvez, nem em Carnaval”, diz Fernando Marques, CEO da União Química, fabricante da vacina russa Sputinik V.

Estudo publicado ontem na Lancet, uma das mais reconhecidas revistas médicas do mundo, mostrou que os imunizantes da Pfizer e da Moderna parecem ser mais eficazes nas doses de reforço. A gravidade da infecção pela nova cepa, contudo, ainda é uma incógnita. Felizmente, não há relato de mortes. Mesmo assim, é tempo de cautela. Os laboratórios estão correndo contra o tempo para atestar se as vacinas atuais protegem contra a ômicron. A pedido da Anvisa, os resultados sobre os imunizantes utilizados no Brasil devem sair ainda este mês. Segundo Marques, o País precisa atuar de maneira mais estratégica em relação às vacinas e não ser apenas um cliente. Para ilustrar, citou como exemplo o que ocorreu em setembro, quando a falta do produto da AstraZeneca obrigou algumas pessoas a usar o da Pfizer na segunda dose.