Num esforço de aproximação do PT com o empresariado, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR) tinha um jantar previsto ontem com um grupo de empresários em São Paulo. Até as 18h30 constavam na lista de confirmados donos e CEOs de algumas das maiores empresas do Brasil, como Abilio Diniz (Península), André Esteves (BTG Pactual), Candido Pinheiro (Hapvida), Carlos Fonseca (Galápagos), Flávio Rocha (Riachuelo) e Nelson Kaufman (Vivara).

O jantar na casa do empresário João Carlos Camargo, no bairro do Morumbi, ainda não havia começado no momento de fechamento da edição impressa do Valor. (Na manhã desta terça-feira, a assessoria de André Esteves informou que ele não participou do encontro.)

Na programação, Gleisi faria uma apresentação da conjuntura, da visão do PT e da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sequência, abriria para perguntas.

Lula tem recebido convites para eventos semelhantes com empresários e representantes do mercado financeiro, mas tem recusado, salvo em raras ocasiões, como em um jantar em São Paulo em janeiro, promovido pelo empresário José Seripieri Júnior. Pelo PT, além de Gleisi, quem tem comparecido a alguns desses encontros desse tipo é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, provável candidato do partido a governador de São Paulo. O PT também ainda não escalou um interlocutor do ex-presidente com o meio econômico, como outros presidenciáveis fizeram. 

Entre os temas mais frequentes colocados aos petistas estão rigor fiscal, reforma trabalhista e o papel da Petrobras.

As propostas de Lula de afrouxamento das regras fiscais são acompanhadas com atenção no mercado. O presidenciável sempre reitera críticas à regra do teto de gastos implantado em 2017 pelo governo Michel Temer, regramento que, segundo as palavras de Gleisi, encontra-se “desmoralizado”. Ela repete que a norma bloqueia o Estado para fazer investimentos e promover ações sociais, mas não impede “barbaridades” que têm sido feitas pelo governo Jair Bolsonaro.

Em 2002, Lula assinou uma “carta ao povo brasileiro”, em que sinalizou ao mercado que manteria a estabilidade econômica em sua administração. O PT costuma colocar que o desempenho econômico dos dois mandatos do ex-presidente (2003-2010) o dispensaria de novamente assumir novo compromisso dessa natureza. Mas o desequilíbrio fiscal gestão de Dilma Rousseff (2011-2016), que contou com o apoio do ex-presidente e teve Gleisi como uma de suas principais auxiliares, sempre é citado no empresariado como motivo de extrema apreensão em relação a uma nova gestão petista.

A possível revogação da reforma trabalhista deve ser outro tema delicado no jantar. Os petistas tem afirmado que não será feita uma revogação pura e simples, mas uma adaptação da legislação para ampliar proteção laboral e contemplar fenômenos novos, como o de trabalhadores por aplicativos A reforma trabalhista recebeu maciço apoio empresarial. (Colaborou Mônica Scaramuzzo).