Uma das lideranças petistas mais próximas de Lula, o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP), que deve coordenar a campanha de Fernando Haddad ao governo de SP, afirmou a empresários com quem se reuniu na terça (22) que o PT tem total confiança em Geraldo Alckmin. O ex-governador será candidato a vice-presidente na chapa liderada por Lula.

O ex presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin
Montagem com fotos do ex-presidente Lula e do ex-governador Geraldo Alckmin - Marlene Bergamo e Eduardo Knapp/Folhapress


ELE, NÃO

"Temer ele não vai ser", afirmou Emídio aos empresários, reunidos pelo grupo Esfera Brasil. Eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2014, Temer rompeu com ela e foi essencial para que o impeachment –definido como "golpe" pelos petistas– prosperasse.

EM CAMPO

Segundo o deputado, Lula deve manter uma boa relação com Alckmin caso os dois sejam eleitos, abrindo espaço para a participação dele no governo e evitando que seja um vice escanteado.

VASO

"A pior coisa que tem é deixar o vice sem função. Isso é desprestigiá-lo", disse Emídio de Souza. Ele resgatou o histórico de Lula com o empresário José Alencar, vice-presidente nos dois mandatos do petista.

"Ele não foi desprestigiado. Era chamado para participar de reuniões do Conselho [que reunia empresários e representantes do governo] e de ministérios. Foi chamado para ser ministro da Defesa, opinava sobre juros. Era um crítico, na verdade, dessa questão", afirmou ainda o parlamentar.

 

VASO 3

Uma das reclamações de Temer na era Dilma era justamente a de ter virado um "vice decorativo". Em uma carta enviada à então presidente, em dezembro de 2015, ele afirmou que só era chamado para resolver "votações do PMDB e crises políticas", e reclamou : "Perdi todo protagonismo político que poderia ter sido usado pelo governo".