Em um jantar com empresários realizado na noite de quarta-feira, em São Paulo, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, fez um discurso alarmista sobre o futuro do banco, caso Bolsonaro não seja reeleito. No encontro realizado pelo grupo Esfera Brasil, Guimarães afirmou que, se o presidente for derrotado, vai se mudar para África. 

— Afirmo com toda a tranquilidade a vocês. Daqui a um ou cinco anos vou pra Uganda, Ruanda, Tanzânia…Uma coisa que não tenho dúvida nenhuma: se não for o presidente Bolsonaro [no comando], game over. Por quê? A Caixa, durante anos, era o paraíso do Carnaval em Salvador [com patrocínio], montando aquela festa toda. Por isso, muitas coisas não andavam, isso eu vi — disse Guimarães a cerca de 30 empresários. A secretária especial do Ministério da Economia, Daniela Marques, também participou do jantar. 

O executivo afirmou que é “ingenuidade” acreditar que a Caixa não voltaria a ser o que era “com qualquer presidente que não seja Bolsonaro” e citou três vezes o caso do ex-deputado Geddel Vieira Lima, que foi um dos vice-presidentes do banco, entre 2011 e 2013. Ele foi preso em 2017, depois que a PF encontrou R$ 51 milhões em seu apartamento. A acusação apontava que o recurso vinha de um esquema criminoso ligado a desvios da Caixa operado por Geddel.

—  O cara que menos mandava na Caixa era o presidente. Quem mandava? O cara que botou o cara lá, o vice-presidente que ‘achou’ 51 milhões de reais em notas na casa da mãe dele — relatou. 

Na reunião, Guimarães disse que mudou 11 dos 12 vice-presidentes da Caixa quando assumiu o banco. Também prometeu que, em poucos anos, a instituição vai superar o Banco do Brasil e que dominará a frente do agronegócio. Afirmou, porém, que o projeto estaria em risco se Bolsonaro for derrotado e disse que os cargos voltarão a ser loteados entre partidos políticos.