O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, Gustavo Montezano foi o convidado desta quarta-feira, 27, de reunião realizada pela Esfera Brasil. Para um grupo de empresários e lideranças, o gestor apresentou as mudanças e avanços realizados na sua gestão de três anos à frente da instituição.

Montezano explicou como reestruturou o trabalho do BNDES e mudou os focos de atuação, que teve entre os resultados o salvamento de pequenas e médias empresas durante a pandemia. “A crise sanitária só mostrou como estávamos certos em desconcentrar grandes investimentos em grandes empresas e passar a olhar para ações de impacto, que é o que a gente entende que uma instituição de desenvolvimento deve fazer por um país”, disse ele.

Mestre em economia pelo Insper, com carreira expoente no mercado financeiro, o engenheiro filho de professor contou que trouxe de Londres, onde atuava, a certeza de que o ESG, Environmental, Social and Governance, seria o caminho incontornável para o mercado.

No Brasil, ingressou no Ministério da Economia de Paulo Guedes e em seguida, aos 39 anos de idade, assumiu a presidência da empresa pública, um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo, onde já no primeiro ano de gestão implementou o sistema de fundos garantidores, que viabilizaram, segundo ele, o salvamento de pequenas e médias empresas no primeiro ano da pandemia, além de possibilitar o início de projetos de viés sustentável com benefícios sociais e ambientais para o país.

Montezano falou sobre o trabalho na recuperação da imagem do BNDES e disse que o banco está preparado para responder a questionamentos que podem voltar durante a disputa eleitoral. “Implementamos uma mudança cultural no BNDES, que era um banco fechado, com medo de se expor. O banco apanhou muito em sua reputação e não vou entrar em meandros jurídicos. Mas até hoje nenhuma irregularidade foi verificada.”


Ele ressaltou também a eminência técnica dos quadros do BNDES e o fim das indicações políticas na empresa. “Mas mesmo os políticos estão percebendo que assim funciona melhor. Não tem como não acompanhar o mercado.”

Para o gestor, a prestação contínua de contas à sociedade transformou a imagem do banco, que hoje trabalha com a lógica de projetos de impacto para a sociedade brasileira. Para ele, a transformação na forma de atuação do banco era vital para a recuperação da imagem do BNDES, o que, nas palavras dele, protege os executivos, atrai negócios e multiplica a atuação da empresa pública.

Montezano falou do foco no mercado de crédito de carbono, em projetos voltados aos parques que abrigam reservas ambientais e à necessidade de o Brasil se unir nesse momento de decisão eleitoral. “Por isso agradeço o convite de estar aqui”, respondeu ele à pergunta de como entende ser possível manter as inovações que implementou no BNDES. “Com a ajuda de vocês, daqui a 13, 15, 17 anos, o BNDES vai continuar atuando pelos impactos positivos no país”. O executivo encerrou a noite desejando que mais iniciativas de diálogo como a proposta pela Esfera Brasil se multipliquem pelo país.