presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann participou de encontro realizado pela Esfera Brasil nesta segunda-feira (4), com grandes empresários do país. Na ocasião, ela deixou clara a disposição do partido, e de Lula, em atuar lado a lado com o empresariado nacional.

A deputada federal, acompanhada do economista Gabriel Galípolo, criticou as privatizações e afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a melhor opção para pacificar o país.

Gleisi questionou os ganhos do Brasil com a Reforma Trabalhista, mas deixou claro a disposição de um possível governo Lula em manter os avanços e apoiar o crescimento da "classe produtiva".

"Não há ninguém com mais disposição de conciliar do que o presidente Lula", disse, comparando-o ao também ex-presidente e Nobel da Paz, Nelson Mandela. Segundo ela, em um governo do PT, o alinhamento com o Congresso Federal será prioritário.
 
 Ex-presidente do Banco Fator, Gabriel Galípolo apoiou a apresentação com uma perspectiva socioeconômica ligada à tradição do PT, mas com um discurso em defesa do pragmatismo político. Ele apontou a polarização como uma das armadilhas na construção de um caminho de interesses comuns ao país e defendeu a parceria público-privada como alternativa ao modelo vigente de privatizações. 


Apesar da posição conciliatória, a petista acusou o governo de Jair Bolsonaro de ser responsável pelos índices recordes de desemprego, de queda no poder de compra, de inflação e alta dos juros, o que foi refutado por presentes, como o empresário Abílio Diniz, ex-colega de Gleisi no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social durante o governo petista.

Para o empresário, a economia brasileira evoluiu em muitos aspectos e problemas como a inflação fazem parte de uma crise global e um contexto muito diferente dos anos do lulismo.

Um dos momentos de maior discordância foi a reafirmação da posição do partido pela autonomia do país em relação ao petróleo. Citando Getúlio Vargas, Gleisi falou do projeto de "um Brasil grande" na criação da Petrobras, ideia refutada por empresários, para quem o comércio internacional do petróleo favorece mais a economia do que o suposto controle pelo governo do preço dos combustíveis. 

Sobre o tema, Gleisi sinalizou ainda a disposição de Lula, se eleito, em "suavizar" o impacto das crises internacionais na bomba de combustíveis, sem recorrer a medidas como o congelamento dos preços. Sobre o comando da área econômica, a integrante do núcleo duro petista foi direta: "Quem vai mandar é o Lula".