Se a complexidade com a qual nos deparamos (Quarta Revolução Industrial, Covid-19, mudanças climáticas e créditos de carbono) já representava grandes desafios para o Brasil, a insegurança geopolítica associada à guerra entre Rússia e Ucrânia deixou exposta uma realidade muito clara: diante do volume praticamente infinito de informações que recebemos todos os dias, é impossível produzir análises precisas e desenvolver estratégias fundamentadas em visões sistêmicas de alta qualidade sem uma metodologia que seja capaz de simplificar cenários complexos.

Desenvolver essa metodologia é uma das atribuições do Especialista em Simplicidade, que está nas listas das principais profissões do futuro. Essencialmente, seu objetivo é analisar o comportamento humano nas suas relações profissionais e propor metodologias inovadoras que otimizem a produtividade, da maneira mais simples possível.

O Especialista em Simplicidade precisa, antes de mais nada, ter grande interesse pela aprendizagem contínua (lifelong learning), pois sua formação multidisciplinar exige certos conhecimentos em Matemática, Psicologia, Sociologia e Administração de Empresas, entre outras áreas. A capacidade de focar em soluções simples e eficientes está relacionada ao desenvolvimento, constante e gradativo, da visão sistêmica.

Uma afirmação atribuída a Albert Einstein diz que "tudo deve ser feito tão simples quanto possível, mas não mais simples que isso". Em outras palavras: os profissionais do futuro precisarão captar, com a máxima agilidade, a essência do seu objeto de estudo da maneira mais clara e com o máximo poder de síntese. É talvez por isso que o historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari, no livro "21 Lições para o Século 21", afirma que clareza é poder: a clareza, de certa forma, caminha lado a lado com o poder de síntese que o Especialista em Simplicidade entrega em seus mais variados contextos profissionais.

No entanto, especialmente no caso do Brasil, é preciso despertar para a realidade de que a formação profissional do Especialista em Simplicidade exige grande esforço pessoal, pois é através desse esforço, necessariamente multidisciplinar, que a adequada visão sistêmica vai gradativamente se formando. É preciso tempo, determinação, resiliência e atenção plena. Em um estudo realizado pela empresa de consultoria Deloitte, 3.300 CEOs e gestores de RH em 106 países foram entrevistados. Eles disseram que diminuir a tensão e a complexidade no ambiente de trabalho, bem como simplificar os processos, é um enorme desafio: 74% consideram a complexidade como um problema muito significativo.

Pesquisadores afirmam que os Especialistas em Simplicidade possuem mentes inquietas e curiosas, que fazem perguntas o tempo todo. Essa característica é também muito observada nos grandes inovadores da História. Além disso, boa parte das soluções em simplicidade virão das tecnologias da Quarta Revolução Industrial. Por isso, conhecer seus princípios é fundamental para o desenvolvimento da preciosa habilidade de simplificar problemas complexos. Tudo passa, essencialmente, pelo desejo individual de mergulhar, cada vez mais profundamente, no amplo universo da aprendizagem contínua.

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