O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi o convidado da Esfera Brasil para almoço nesta segunda-feira (18). Ele foi o primeiro a ser convidado entre os economistas dos pré-candidatos à presidência. Referendado pelo PT para esse encontro, Mantega discorreu durante mais de duas horas sobre como ele vê a situação atual da economia e formulou algumas ideias para o próximo governo.

Mantega foi enfático ao defender um programa de investimentos liderado pelo Estado como fator dinamizador da economia e disse que, logo no primeiro ano, o próximo governo, independentemente de quem ganhar as eleições, terá que promover uma reforma tributária a ser negociada como todos os setores interessados.

Mantega afirmou que o ex-presidente Lula é o mesmo de 2002, e comparou o atual momento ao de 20 anos atrás. Apesar de considerar ineficiente o teto de gastos, ele defendeu algum tipo de âncora fiscal, mas, segundo ele, os investimentos precisam ser preservados. Disse que, na sua época, foi adotada uma âncora fiscal. O salário mínimo não podia subir mais do que a inflação.

Para Mantega, o próximo presidente vai herdar um país com problemas na economia, com inflação acima de 8% e um crescimento do PIB estimado 0,5%. "A inflação causa um estrago muito grande, corrói o poder aquisitivo não só da população de baixa renda mas também da classe média. Isso faz com que a chance da retomada de uma demanda efetiva [este ano] seja muito pequena", disse.

O ex-ministro da Fazenda elogiou a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Para ele, Campos Neto tomou as decisões corretas na crise da pandemia, ao baixar os juros com agilidade.

Mantega esclareceu aos convidados a posição do Partido dos Trabalhadores em relação ao petróleo, às privatizações e às mudanças nas leis trabalhistas. Defendeu a lucratividade da Petrobras, mas disse que não concorda com a política de preços da empresa dos últimos anos. Como o petróleo é uma commodity sensível no mundo inteiro, o aumento de preço se reflete em toda a economia. Uma ideia para tentar amortecer esse efeito é a de se criar um fundo de estabilização, como é adotado em outros países.

Questionado se um novo governo petista priorizaria estatização e seria socialista, Mantega afirmou que não. "O investimento público é importante para dar sinergia ao investimento privado. Isso não significa uma estatização porque quando o Estado faz investimento, ele está contratando empresas privadas", disse. "Posso afirmar para vocês que o Lula de hoje é igualzinho ao de 2003. É o Lula conciliador, que tem a cabeça no lugar, que não radicaliza. Ele fará um governo de centro, sem radicalismos."