A Esfera Brasil realizou nesta segunda-feira (23) mais um encontro com economistas ligados aos principais candidatos à Presidência em 2022. Desta vez, o convidado foi o professor da FGV Nelson Marconi, assessor de Ciro Gomes (PDT) na área econômica – ele foi o coordenador do programa de governo do pedetista nas eleições passadas, em 2018.

Questionado sobre a posição de Ciro em relação à autonomia do Banco Central, o economista disse que eles apoiam a independência operacional da instituição, mas não a autonomia como é dada hoje. "Senão você está dando autonomia em relação ao governo, e o Banco Central não é uma agência reguladora. O BC faz política econômica e é um braço muito importante de qualquer governo. O presidente da República tem que ter autonomia para escolher um presidente do Banco Central alinhado com ele."

Durante o encontro, Marconi adiantou alguns pontos sobre o programa econômico do PDT que será apresentado durante a campanha eleitoral de Ciro. O foco, segundo ele, é o desenvolvimento, principalmente industrial, com investimento privado e público. "A indústria é fundamental para o desenvolvimento do país e para gerar empregos. E hoje já temos que pensar numa indústria limpa, sustentável, com energia limpa."

Sobre a privatização da Eletrobras, o assessor especial de Ciro Gomes disse que o modelo ideal seria público e privado, com parte da empresa tendo controle estatal. "O Estado precisa tentar manter o controle energético do país, já que energia é um dos nossos principais ativos."

O professor da FGV também defendeu as reformas fiscal e tributária, essenciais, disse, para implementar as mudanças necessárias na política econômica em um futuro governo cirista. Para viabilizá-las, a aposta de Ciro é fazer um pacto federativo. "Responsabilidade fiscal é um ponto muito importante. É preciso retomar a capacidade do Estado de fazer investimento", disse. "Ciro tem credibilidade para fazer as reformas porque no Ceará, quando ele era governador, sempre foi assim, ele foi ministro da Fazenda."

Segundo ele, o plano econômico pedetista prevê uma tributação maior em cima de lucros e dividendos, com uma compensação no Imposto de Renda de pessoa jurídica. "Achamos também que precisa ter uma tributação maior em cima de fortunas acima de R$ 20 milhões."

Já sobre a reforma trabalhista, Marconi afirmou que o PDT entende "que não tem que voltar para a CLT de forma nenhuma", mas que é preciso negociar alguns pontos como o sobre a definição de trabalho intermitente. "Hoje tem predomínio do que é negociado individualmente e queremos voltar a ter esse processo feito de maneira coletiva."