No primeiro semestre de 2022, as exportações brasileiras do Agronegócio somaram US$ 79,32 bilhões. Este é um valor recorde, que representa quase metade (48,3%) das exportações totais do País, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores. Inspirado nesses resultados, o economista, cientista político e diplomata brasileiro, Marcos Prado Troyjo, atual Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco de Desenvolvimento do BRICS, afirmou que o atual cenário mundial é muito favorável para a agricultura brasileira.

Ele acredita que o Brasil pode se tornar a “Arábia Saudita dos alimentos”: os países dos Oriente Médio como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes, Bahrein e Omã desenvolveram suas economias através da produção e exportação de petróleo, e o Brasil, de maneira análoga, poderá ser uma potência global, desenvolvendo sua economia através da maior produção e exportação de alimentos.

A Arábia Saudita é considerada um dos maiores exportadores de petróleo, pois possui cerca de 16% das suas reservas mundiais. Além disso, o setor de petróleo é responsável por 87% das receitas orçamentárias, 42% do PIB e 90% das receitas de exportação.

Esses dados colocam a Arábia Saudita em uma situação de liderança na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). De acordo com o Presidente do Banco de Desenvolvimento do BRICS, o Brasil tem potencial para alcançar índices de desenvolvimento semelhantes aos da Arábia Saudita.

De fato, a questão da segurança alimentar está sendo considerada com profunda preocupação no mundo inteiro. Recentemente, foi publicada uma Declaração Conjunta de representantes de algumas das principais instituições globais, como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e o Programa Mundial de Alimentos.

Essa Declaração recomenda que ações urgentes sejam tomadas para tentar superar a crise global de insegurança alimentar. Ela também afirma que é fundamental impulsionar a produção sustentável de alimentos, otimizando as cadeias de abastecimento, para alimentar os quase 8 bilhões de habitantes do planeta. Essa otimização exige progressos científicos, principalmente em alguns setores estratégicos: fertilizantes, melhoramento genético de sementes, agricultura de precisão e utilização sustentável dos recursos naturais.

O Brasil tem todas as condições para ser uma peça central nesse novo tabuleiro geopolítico, orientado exclusivamente para a segurança alimentar, pois a produção de alimentos será, talvez, o “capital por excelência” da maioria das negociações diplomáticas das próximas décadas.

Portanto, o recente recorde nas exportações do agronegócio demonstram que o Brasil tem de fato potencial para se tornar a “Arábia Saudita dos alimentos”. O fato do atual Presidente do Banco de Desenvolvimento do BRICS ser um brasileiro talvez possa facilitar a expansão de diálogos institucionais mais profundos, orientados para a elaboração de projetos inovadores e também para a formação qualificada e internacionalizada de capital humano para o Agronegócio. Essas iniciativas com certeza colaborariam para alavancar a cultura de inovação brasileira, especialmente no que diz respeito à produção de alimentos, que é um dos principais desafios do Século 21.