O ministro Tarcísio Gomes de Freitas anunciou o investimento de R$ 165,5 bilhões em obras em seu último ano à frente da pasta da Infraestrutura. "Neste ano, o Brasil vai se tornar um grande canteiro de obras", disse ele em encontro realizado pela Esfera Brasil nesta quinta-feira (17), em que também confirmou sua intenção de concluir o posto no ministério e se lançar candidato ao governo de São Paulo.

Se o plano seguir adiante, o político deve deixar a equipe do governo federal, ao lado de outros 11 ministros,  em março. A sua candidatura, pelo Partido Liberal, será apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro.

"É na verdade um pedido do presidente, que me disse que eu posso ajudá-lo no governo da locomotiva do país", falou o engenheiro e militar, que teve passagens pela coordenação de Auditoria da Área de Transportes da Controladoria Geral da União (CGU) e a Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), núcleo responsável por programa de privatizações, concessões e desestatizações durante o governo de Michel Temer.

Tarcísio criticou os governos anteriores. "A partir de 2016, saímos de um período anti-business para um período pró-business, e a infraestrutura começou a voar", disse ele para um grupo de lideranças e empresários do país. "De lá pra cá, aprovamos as reformas trabalhista e da previdência e o marco do saneamento, o que melhorou e vai continuar melhorando a vida, a qualidade ambiental e a economia de centenas de municípios brasileiros."

Considerado um dos principais expoentes técnicos do governo, o ministro admitiu que não estava certo de que deveria concorrer ao governo paulista. Foi convencido pelo economista e ex-ministro Antônio Delfim Netto. "Professor, o presidente está me jogando aqui (em São Paulo)." Delfim, segundo ele, respondeu: "Acho que você tem que ir. E digo mais: você vai ganhar a eleição. Porque você tem o que mostrar. Você vai agregar muitos apoios. Os outros todos não terão o que mostrar". 

Tarcísio elencou uma série de realizações nas áreas de óleo e gás, transportes, saneamento e energia, que avançaram no último ano apesar da pandemia de covid-19. "No ano passado, foram realizados leilões em estados do Norte com grande impacto positivo, geração de empregos e aumento de qualidade ambiental, além do desenvolvimento", listou.

E destacou o desenvolvimento da malha rodoviária. "[Antes] só o Estado podia fazer ferrovia. Mudamos a lei. Foi difícil. Recebemos 80 pedidos de autorização de 20 mil km de ferrovias no Brasil, que fez pouco mais de 28 mil desde os anos 1920", relatou. "Investimos centenas de milhões só em saneamento básico. De 2019 até aqui, fizemos 125 leilões nas áreas da infraestrutura. O crédito cresceu 20% na pandemia. E muito desse crédito foi dedicado a estados, municípios, micro e pequenas empresas. As razões que travavam o crescimento estrutural estão sendo desmontadas em pleno mar revolto".

Em São Paulo, o  ministro disse que pretende atuar com mais energia nas áreas da infraestrutura, da saúde, da educação e da segurança. "O Estado está hoje nas mãos de uma facção criminosa, algo que não está sendo combatido, porque o combate traz efeitos colaterais. É uma decisão cômoda e covarde em relação à segurança da população."