O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), um dos principais coordenadores econômicos do PT, participou de um encontro com empresários promovido pela Esfera Brasil na noite de quinta (dia 9), em São Paulo.

Em tom conciliador, Padilha disse que Lula nunca usou a palavra revogação da reforma trabalhista, como consta na versão preliminar do plano de governo divulgado pela Fundação Perseu Abramo dias antes.

"Aquilo ainda é um rascunho, que será discutido com os partidos coligados e também com a sociedade", disse. "Lula nunca usou a palavra revogação da reforma trabalhista". O que Lula defende, segundo ele, é um debate envolvendo governo, empresários e trabalhadores para discutir os direitos trabalhistas. "O presidente Lula é uma figura do diálogo".

Já em relação ao teto de gastos, outro tema caro aos empresários, Padilha também procurou amenizar o tom dado pelo documento do PT que defendia o seu fim. Padilha disse que o teto de gastos foi criado em 2016, e a lei, quando criada, já previa sua revisão dez anos depois. Diante de vários fatos novos na economia, com a pandemia, a ideia é se antecipar três anos esse debate, para 2023, o que ele disse que não considera nenhum absurdo.

Padilha disse também que era a favor de um estado "nem grande nem pequeno", mas "necessário". Afirmou, também, que Lula não iria rasgar nenhum contrato, numa referência ao processo de privatização da Eletrobras.

Sobre a Petrobras, Padilha disse que a empresa deveria, sim, mirar o lucro, mas, a seu ver, não fazia sentido a empresa ter lucrado três vezes mais do que as maiores petrolíferas do mundo. O deputado deu bastante ênfase ao nome do ex-governador Geraldo Alckmin na composição da chapa com Lula. Segundo ele, os dois representam "o melhor do PSDB e o melhor do PT".

Sobre o governo Dilma Rousseff, Padilha fez mea culpa ao admitir uma "tragédia fiscal" principalmente no primeiro governo. Dividiu a responsabilidade com o Congresso pelo excesso de desonerações fiscais. "Chegou lá um pônei e voltou um dromedário". Reconheceu que houve expansão de alguns programas que não precisavam ter sido feitos.

Em um afago aos empresários, disse ser totalmente a favor da reforma tributária, "tanto para os mais pobres, quanto para quem gera emprego". "Não posso dizer que vamos zerar os tributos da folha de pagamento, mas vamos trabalhar de forma decrescente", disse o deputado.