O governo dos Estados Unidos está correndo contra o relógio. O impacto do conflito iniciado no dia 28 de fevereiro — com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã — sobre a inflação vai depender da duração dessa crise e se a situação ao longo das próximas semanas deve impactar a capacidade de oferta de petróleo e gás, conforme avalia o cientista político Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group.
Durante encontro com nossos associados na segunda-feira, 9, o executivo afirmou que o presidente Donald Trump sabe que precisa declarar vitória até o fim de março, e terá de enfrentar cobranças domésticas caso a crise persista por muito mais tempo.
Garman chamou atenção para as grandes oscilações observadas nos preços do barril de petróleo, lembrando que o estado de alerta do mercado começou a se agravar no final da semana passada. “Já neste fim de semana, vendo os ataques iranianos para vários países do Golfo, amanhecemos com o preço do petróleo subindo acima de 100 dólares por barril. Mas terminamos o dia com um certo alívio, porque o Trump deu uma entrevista para a CBS no final do dia de hoje dizendo que a guerra vai ser muito curta e que estão próximos da vitória”, relatou.

A aposta do Eurasia Group, de acordo com o diretor, é de que a superpotência militar americana e israelense deve reduzir dramaticamente a capacidade do regime de fazer retaliações via mísseis balísticos de um lado, e drones de outro.
“Acreditamos que vai ser realizado o envio da marinha americana para fazer essas escoltas, para tentar voltar à exportação com o escoamento do petróleo via Estreito de Ormuz. Isso deve durar uns dez dias. Então, até o final de março, podemos ter uma certa normalização nos mercados energéticos”, ponderou.
Possível shut-in
Garman pontuou, contudo, a preocupação com a abertura da faixa marítima. Segundo ele, quanto mais tempo leva para liberar o Estreito de Ormuz, mais provável será que os países do Golfo tenham que parar de produzir petróleo, criando o chamado “shut-in”. Consequentemente, a demora na retomada da produção reduz a oferta do combustível, estendendo o período da crise.
“E se o regime iraniano tiver alguns ataques pontuais, por exemplo, que peguem um navio do cargo de petróleo, ou fizer uns outros ataques e não se tenha uma volta permanente, aí o preço de petróleo pode carregar mais. Se isso acontecer, estaremos falando não só do preço de petróleo mais elevado, mas também de um choque inflacionário que impactaria particularmente a Europa, via preço de gás. E também um choque que se traduziria diretamente nos Estados Unidos, e os bancos centrais não conseguiriam reduzir tanto os juros”, alertou.
Embora Donald Trump já estivesse disposto a assumir riscos, Garman ressaltou que os governos dos EUA e de Israel subestimaram a reação iraniana, que acabou atingindo todos os países do Golfo em uma clara estratégia para “maximizar o impacto global e tentar forçar o presidente americano a rever sua estratégia”. O intuito da Casa Branca, agora, é dobrar a aposta nesse curto prazo.
