• 24.03.2025
  • Redação

É tempo de conciliar crescimento e equilíbrio

Para a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o mercado precisa pensar – e moderar – as suas expectativas sobre a política econômica do governo para não prejudicar o desenvolvimento do País.

“Nós sabemos do período de gastança, do governo do presidente Lula, da presidente Dilma. Eu participei do processo de impeachment da presidente Dilma, e não é segredo para ninguém, falo com toda isenção”, disse Tebet em sua fala inicial durante encontro com nossos associados em São Paulo, nesta segunda-feira, 24.

“Eu sei que esse receio de uma possível ‘gastança’ tem que ficar no radar. Só temos que pensar até que ponto essa expectativa de mercado está comprometendo o crescimento do Brasil, impactando de forma negativa o nosso câmbio a ponto de gerar uma incerteza, e nós perdemos as boas oportunidades que o País tem pela frente, numa janela muito pequena que está para se fechar”, ponderou.

A ministra enfatizou o potencial econômico do Brasil, especialmente em relação ao agronegócio, ao hidrogênio verde e ao etanol. Ela citou que embora o País tenha na transição energética – e ecológica – o “motor” para fazer a nação decolar, é preciso ter um maior cuidado com a política, e reforçou o poder que a classe produtiva possui, de ser capaz de ajudar a moldar o futuro do País.

“Quando a política tradicional sai de cena, ou quando é absolutamente rechaçada pela população brasileira, surgem outsiders que não entendem como é que funciona o sistema. A última coisa que a população pode perder é o sonho e a esperança. E não é [a esperança] em um governo, é na política, porque quando o povo perde a esperança, ele opta por aquilo que não conhece”, avaliou Tebet.


Legado

A ministra apontou a falta de uma cultura de planejamento como o grande problema do País. Enquanto o Brasil conta com um Plano Plurianual (PPA) para definir os objetivos e diretrizes do governo a cada quatro anos, países europeus têm planejamentos que transcendem ciclos de governo, para 25 ou 12 anos. Tebet garantiu, ainda, seu compromisso em entregar a Estratégia 2050, um dos legados que espera deixar. 

Trata-se de uma visão para o futuro do País, elaborada a partir de consultas feitas a diferentes setores em todos os estados. “A pergunta é: que Brasil queremos ser nos próximos 25 anos a partir de 2026? E como podemos chegar lá? Então, nós vamos entregar uma estratégia, ouvindo todos os segmentos. Depois vamos ver se vai ser aprovado pelo Congresso Nacional. Mas a estratégia vai estar pronta”, disse.

Na visão de Tebet, a falta dessa visão de longo prazo pela classe política prejudica a previsibilidade.

Nessa direção, Simone Tebet também destacou a necessidade de fortalecer a integração econômica com os países sul-americanos e apresentou dados que mostram um deslocamento do eixo econômico brasileiro, com crescimento expressivo das regiões Centro-Oeste e Norte. Ela enfatizou a importância das Rotas de Integração Sul-Americana, um projeto que visa facilitar o escoamento da produção nacional para os principais mercados internacionais, como o asiático. A ministra também mencionou o interesse do governo chinês em investir na infraestrutura logística brasileira, com foco em ferrovias e portos.

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