O Líder do Governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), afirmou nesta quarta-feira, 8, que os parlamentares precisam valorizar o diálogo como ferramenta para busca de consenso, e priorizar projetos que possibilitem a atração de investimentos, com enfoque no médio e longo prazo.
Na visão de Guimarães, o cenário da Câmara opõe PL e PT, com “o Centrão no meio”. O líder ainda admitiu que “o governo não tem base para aprovar todos os seus projetos”, e por isso deve ampliar sua interlocução no Legislativo. “Sobre o 6×1, tem uma PEC tramitando na CCJ [Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania], não custa nada sentar com o Presidente da Câmara e dialogar”, ilustrou.

Sobre ocasiões em que a articulação foi devidamente azeitada, na opinião de Guimarães, estão as negociações que tiveram como resultado a aprovação do PL Antifacção e também a PEC da Segurança Pública. “Montamos uma mesa de diálogo, fechamos um texto que agradou a todos”, apontou. Por outro lado, o Líder do Governo descreveu a existência de “um problema político” do Senado, que atrapalhou a aprovação de um regime específico para o setor de data centers, o chamado Redata, que, segundo dados do Ministério da Fazenda, possibilitaria a atração de investimentos para o País nos próximos anos.
Secretaria de Relações Institucionais
E nessa quebra-cabeça da articulação política, grande parte do protagonismo no desenho atual do governo é assumido pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI), que trabalha junto à Presidência da República para estabelecer a melhor estratégia pela governabilidade, garantindo que a agenda prioritária do Planalto seja levada adiante.
Com a saída de Gleisi Hoffmann, que se desincompatibilizou do cargo para se colocar na disputa ao Senado, o Executivo segue em busca de um nome com bom trânsito entre os parlamentares para assumir esse posto, assumido interinamente pelo diplomata Marcelo Costa, que ocupou a Secretaria-Executiva durante a gestão de Gleisi. Cotado para o cargo, José Guimarães descartou a possibilidade.
“Não posso ficar sem mandato porque seria uma estaca retirada do front político neste momento”, afirmou. “Eu quero disputar o Senado pelo meu estado [Ceará]”, concluiu.
