As compras online ou por aplicativos têm se tornado cada dia mais frequentes na vida dos brasileiros. Por consequência, diversos novos apps com características diferentes têm feito parte da rotina de gastos da população. No Diálogos Instituto Esfera, realizado na Casa ParlaMento nesta terça-feira, 30, especialistas abordaram o tema, com maior ênfase nos aplicativos de entrega.
O professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Guilherme Resende explicou que muitas plataformas têm investido não somente no consumidor com a entrega de descontos e promoções, mas também no prestador de serviços.
“As plataformas entrantes dão bônus para entregadores, e pagam mais. É uma parte importante, já que quem está comprando a comida quer que seja entregue rápido”, descreveu.
“Bares e restaurantes são menos vulneráveis que outros setores. Eles usam as plataformas de forma mais positiva do que negativa […] É evidente que não dá para parar a tecnologia. A lógica da plataforma é diferente do varejo tradicional”, apontou o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) Fábio Pina. “O Brasil precisa crescer. Se o Brasil crescer 10%, como crescia a China, vai ter espaço para todo mundo”, completou.

Cenário internacional
Segundo a Gerente de Sustentabilidade e Relações Governamentais da Riachuelo, Karina D’Ornelas, para concorrer com o avanço exponencial de alguns aplicativos, outros países têm assumido posições mais combativas e defendido as empresas nacionais.
“Você vê países como Turquia, México, Equador, Estados Unidos, União Europeia, todos estão forçando os mecanismos para conseguir competir de igual para igual com essa velocidade que outras plataformas possuem. Isso não é soberania nacional, protecionismo; isso é condição de desenvolvimento. Então, acho que um pouco dessas avenidas também poderiam ser exploradas publicamente no Brasil”, afirmou D’Ornelas.

“Olhar para o funcionamento internacional do tema é uma forma de encontrar boas respostas, mas também de aprender com os erros alheios e tentar transformá-los em incentivos para a situação no mercado nacional”, disse Lílian Santos Marques Severino, Economista-Chefe do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Para além disso, Bernardo Sarmento, Vice-Presidente Sênior da Compass Lexecon, alerta que existe ainda a preocupação com um potencial market tipping, em que, como consequência dos preços predatórios, outras empresas concorrentes têm seus clientes “comprados e roubados”.
“Isso pode levar a uma situação onde essas plataformas vão para além do tipping point, ou seja, deixam de poder ter essa capacidade de concorrer efetivamente no mercado”, sinalizou Sarmento.