Dois nomes muito experientes da política, e que exerceram a Presidência da Câmara dos Deputados no passado, participaram nesta quarta-feira, 10, de um encontro, na Casa ParlaMento, em Brasília, em que puderam refletir sobre erros e acertos do Legislativo nos últimos anos.
“A Câmara cumpre o seu papel dentro daquilo que ela tem em condições hoje, e cumpre muito bem. Mas poderia cumprir melhor se a gente tivesse uma qualificação melhor dos quadros que foram se deteriorando ao longo do tempo”, disse Eduardo Cunha.
Na visão dele, a Câmara cumpre seu papel na direção de legislar, mas a forma como as vagas para os deputados são definidas é um dos principais motivos que levam à perda de qualidade administrativa da Casa.
“Atualmente temos deputados que não se esforçam para ler as propostas. Esperam o líder do partido ligar para as secretarias e passar a orientação do voto e pronto”, analisou João Paulo Cunha, que presidiu a Câmara entre 2003 e 2005.

Eduardo deu como exemplo um deputado eleito com 1,5 milhão de votos e que consegue levar outros deputados à Casa somente pelo seu número de eleitores. O ex-presidente defende que os votos deveriam ser direcionados aos partidos e, assim, caberia a cada sigla definir seu corpo legislativo. “A gente tem preponderância de votos não em partido, mas sim em pessoas”, frisou.
Eleições
Tanto Eduardo quanto João Paulo Cunha são pré-candidatos nas eleições de outubro deste ano. Eles compartilharam com os presentes diferentes impressões sobre o fenômeno dos influencers na política.
“A política é feita de contato, de relação, de compromisso. Influencer é um fenômeno que vai passar já, já”, declarou João Paulo, que se disse otimista sobre a composição do Parlamento após o ciclo eleitoral.
Já Eduardo defendeu que, se eleito, vai lutar pela não monetização de conteúdos digitais criados por funcionários do setor público, principalmente políticos. Ele também previu que, independentemente do resultado, os ruídos na interlocução entre Legislativo e Executivo devem permanecer.
“Nenhum presidente da república, de qualquer lado, seja de direita ou de esquerda, vai se eleger com maioria no Parlamento”, teorizou.
